Não existe educação sem cultura

“Sujeito a Reboque” faz curtíssima temporada no Teatro Cesgranrio

 

Escrita por Herton Gustavo Gratto, peça aborda drama cotidiano sobre o crescimento da impessoalidade das relações a partir de um carro rebocado

 

Quem nunca se viu diante de uma situação burocrática que pode começar de forma incômoda e se transformar em uma sensação desesperadora? Conflitos, tentativas frustradas de resolução de um problema, estresse, relações interpessoais cada vez mais ameaçadas por sistemas operacionais – e pela falta de empatia.

Esse drama do cotidiano de tanta gente é o mote central do espetáculo “Sujeito a Reboque”, que faz temporada no Teatro Cesgranrio, no Rio Comprido, de 29 de novembro a 2 de dezembro, A peça narra o embate entre Antar, um homem que teve o seu carro rebocado, e o atendente do órgão que apreendeu o veículo.

Um caso que poderia ser resolvido com um pagamento, ou em apenas poucas horas, mas que se torna uma grande dor de cabeça – e na alma também. A peça surgiu através de um fato realmente vivido por um dos atores e também idealizador do projeto, João Campany, que dá́ vida ao personagem Atendente.

Ele conta que se inspirou depois de ter o seu carro rebocado pela terceira vez e lembra que, na noite do ocorrido, tentou agir com tranquilidade, mas que acabou incomodado lembrando que teria que passar de novo por tanta burocracia.

“Os meus amigos me falavam para relaxar e fazer um vídeo contando disso. Daí́ eu pensei: um vídeo é muito pouco, dá para fazer um filme, uma peça”, diz o ator.

Foi aí que nasceu o projeto, com o texto desenvolvido por Herton Gustavo Gratto. O dramaturgo acredita que a perda de empatia diária no convívio entre as pessoas é uma das atmosferas encontradas na encenação.

“Estamos diariamente sujeitos a reboque de um sistema sucateado, arbitrário e falido que não tem qualquer empatia com o ser humano. Somos números infinitos numa interminável fila de espera”, enfatiza Gratto.

 

Sujeito a Reboque - Teatro Cesgranrio

 

O espetáculo conta ainda com o ator Bernardo Dugin a dupla de diretoras Louise Clós e Carolina Reichert. Elas explicam que buscaram imprimir em cada ato uma narrativa através dos corpos dos atores.

“São pelas partituras criadas em cada cena que a dramaturgia se desenvolve. Buscando simplicidade de elementos cênicos, a montagem vai ganhando força com contornos surpreendentes conforme o conflito entre os personagens cresce em cena.”

E, conforme a falta de paciência de Antar vai aumentando e a forma fria e sistematizada com qual o Atendente trata o problema, vai crescendo o embate

travado entre as duas extremidades dessa situação, em cena. O nome do personagem que representa o funcionário do órgão responsável pela liberação dos carros rebocados é Atendente.

“Porque o Herton (autor) quis mostrar a padronização do atendimento ao público, os treinamentos por quais passam para defenderem o sistema para que trabalham e a invisibilidade dessas pessoais que nos prestam serviços diariamente”, ressalta Campany.

A peça quer que o seu espectador crie suas conclusões da situação, acima de escolher um certo ou errado, mas tentar uma reflexão sobre os comportamentos.

“A gente espera que o público assista baseado nas suas experiências vividas em situações parecidas. Pode-se ter diferentes entendimentos da peça.”, diz Bernardo Dugin, que interpreta o personagem Antar.

 

SERVIÇO

Sujeito a Reboque
Texto: Herton Gustavo Gratto
Direção: Carolina Reichert e Louise Clós Elenco: João Campany e Bernardo Dugin
Produção-executiva: Luiz Lobo

Local: Teatro Cesgranrio
Endereço: Rua Santa Alexandrina 1011, Rio Comprido – (21) 2103-9682.
Datas: de 29 de novembro a 2 de dezembro de 2018

Horário: 20h

Valor: R$ 40/ R$ 20 (meia-entrada para estudantes, pessoas com deficiência e um acompanhante, idosos – pessoas com mais de 60 anos -, jovens menores de 21 anos e professores mediante a comprovação)

Lotação: 266 lugares

Classificação etária: 16 anos

Estacionamento gratuito no local

COMPRE O INGRESSO AQUI ou na bilheteria do teatro.