Não existe educação sem cultura

Intercâmbio com o som que vem da floresta

Projeto: Orquestra Sinfônica Cesgranrio
Fonte: Jornal o Globo
Data: 20-08-2017


A imagem abaixo é a reprodução da matéria original

 


Jornal O Globo - Orquestra Sinfônica Cesgranrio

 

Nem violino, nem piano. O instrumento de destaque no recital que a Orquestra Sinfônica Cesgranrio faz hoje na Sala Cecília Meireles em homenagem ao Dia Internacional dos Povos Indígenas (comemorado no último dia 9) é uma flauta indígena, tocada por Anuiá Amarü, da etnia Yawalapti, do Alto Xingu.

Diretor artístico e regente titular do grupo, Eder Paolozzi conta que conheceu o flautista na Chapada dos Veadeiros no ano passado.

— Vimos uma performance dele e gostamos do som que ele faz. Anuiá tocará umas quatro ou cinco músicas de sua tribo, além de conversar com a plateia sobre lendas e tradições da floresta. Nos ensaios, ele contou que faz a própria flauta, de bambu e toda pintada, respeitando a tradição de seu povo — diz o maestro. — Será um intercâmbio cultural incrível, pois Anuiá tem uma forma de pensar a música bem diferente da nossa.

Em seguida, a flautista carioca Sofia Ceccato interpreta uma obra inédita no Brasil, “Masiá Mujú” (1987), da compositora uruguaia Beatriz Lockhart.

— São duas participações de flautistas com culturas bem diferentes. Depois dos respectivos solos, eles tocarão juntos algumas surpresas — adianta Paolozzi.

No programa da orquestra, ainda serão interpretadas as peças “Uirapuru” (1917), de Villa-Lobos, que retrata o ambiente da floresta, e a suíte de “Pássaro de fogo” (versão de 1919), de Stravinsky, inspirada na lenda da Fênix, que renasce das cinzas.

— São duas obras emblemáticas e complementares que tratam do ressurgimento. A gente espera que a cultura indígena renasça — finaliza o regente.

ONDE: Sala Cecília Meireles. Rua da Lapa 47 (2332-9223), Lapa. QUANDO: Dom, às 11h. QUANTO: R$ 20. CLASSIFICAÇÃO: Livre.