Não existe educação sem cultura

Fundação Cesgranrio conta com trabalho de excelência nas áreas de educação e cultura

Projeto: Fundação Cesgranrio
Fonte: Jornal O Globo
Data: 21-09-2017


A imagem abaixo é a reprodução da matéria original

 


Fundação Cesgranrio investe em educação, cultura e arte - Presidente Carlos Alberto Serpa

Fundação Cesgranrio investe em educação, cultura e arte - Presidente Carlos Alberto Serpa

Fundação Cesgranrio investe em educação, cultura e arte - Presidente Carlos Alberto Serpa

Fundação Cesgranrio investe em educação, cultura e arte - Presidente Carlos Alberto Serpa

Fundação Cesgranrio investe em educação, cultura e arte - Presidente Carlos Alberto Serpa

 


 

RIO - No cenário de crise financeira e moral em que se encontra o estado, uma instituição no Rio Comprido se destaca por investir, com excelência e sem qualquer incentivo do governo, em ações de educação, arte e cultura. Esta tríade, para o presidente da instituição, Carlos Alberto Serpa de Oliveira, é o único caminho para o verdadeiro progresso.

Tudo começou em outubro de 1971, quando uma associação pioneira de 12 instituições universitárias tornou possível a criação do Centro de Seleção de Candidatos ao Ensino Superior do Grande Rio (Cesgranrio), que organizaria, em janeiro de 1972, o primeiro vestibular unificado da história da educação brasileira. Em janeiro de 1973 surgia a Fundação Cesgranrio. Atualmente, a associação continua atuando na aplicação de diversos exames pelo Brasil, entre eles Enem, Enad, Encceja e Saeb; de pequenos vestibulares espalhados pelo país; além de concursos públicos. Em julho do ano passado, foi criada a Faculdade Cesgranrio, que conta com dois cursos, até agora: os de Tecnólogo em Avaliação e Tecnólogo em RH. São esperados para março mais dois cursos na grade: Pedagogia e Teatro.

Serpa revela sempre ter acreditado que a ambiência cultural influenciava no desempenho acadêmico.

— Podíamos perceber em questionários feitos com os alunos vestibulandos que o poder aquisitivo influenciava, sim, nos resultados, devido a eles conseguirem estudar em escolas boas e terem dinheiro para os cursos preparatórios. Mas percebemos que também havia sucesso para o público de baixa renda. A explicação para isso estava aliada a uma ambiência cultural familiar. Isto é, onde eles viviam havia hábitos de leitura e de estudo, por exemplo, ou havia acesso à cultura de alguma maneira.

Pensando em transmitir essa ambiência cultural ao maior número de pessoas possível, Serpa fundou, em 1980, o Instituto Cultural Cesgranrio, que abrangia ações em todo o Brasil. Em 2011, decidiu pôr foco apenas no Rio, criando, assim, o Centro Cultural Cesgranrio.

— Com o tempo e a grandeza do projeto, não houve mais condições de fazer um acompanhamento e uma avaliação regulares. Por isso, em 2002, encerramos a ação a nível nacional. É importante lembrar que todos os projetos da Cesgranrio, sejam culturais ou não, passam por uma avaliação regular — explica.

Em sete anos de existência, o centro cultural ganhou destaque pelo incentivo nas áreas de teatro, música, literatura e pintura, com oficinas, premiações e projetos inovadores. Nas artes cênicas há várias ações: em 2015 foi criado o Teatro nas Escolas, no qual atores se apresentam em instituições públicas da cidade, sempre com um tema atual; o Festival de Teatro Universitário incentiva a produção acadêmica; a fundação oferece oficinas de preparação de atores para TV e teatro musical; no local, um teatro com capacidade para 300 lugares foi inaugurado há um ano, além de uma minicidade cenográfica (que muda de acordo com os festejos típicos), sempre com atividades lúdicas. Para Serpa, o teatro é a “arte-mãe”. Em 2014, foi instituído o Prêmio Cesgranrio de Teatro, anual. Ao todo são 12 categorias, com premiação de R$ 25 mil para os vencedores.

— O teatro abriga literatura, poesia, dança, música e representação cênica. É a arte mais completa e mais inspiradora de todas — acredita.

Dando sequência às premiações anuais, há Rio de Literatura, prêmio dividido em quatro modalidades (melhor ficção; melhor ensaio e melhor poesia, com premiações de R$ 100 mil para os vencedores; e novo autor fluminense, com R$ 10 mil para o vencedor e publicação de mil exemplares da obra). Nas artes plásticas, o Novos Talentos da Pintura premia quatro vencedores (R$ 2 mil a R$ 10 mil, com uma exposição dos trabalhos no final); na dança, será instituído, ainda este ano, um prêmio coordenado pela bailarina Ana Botafogo.

 

— Criamos esse ano a categoria “Poesia”, que voltou a ter o interesse dos jovens. A poesia nos dias de hoje está viva nos colégios e nas universidades com uma qualidade fantástica. O nosso prêmio tem a participação de acadêmicos da ABL — diz.

Na música, destaque para a Orquestra Sinfônica Cesgranrio, fundada em julho de 2015 e que conta com 50 jovens de cursos universitários e técnicos de música, além de um coral de cegos e de outro, cênico. O professor revela o projeto que é a “sua paixão”: livros lúdicos contam a vida e a obra de grandes compositores clássicos, modernos e contemporâneos, como Beethoven, Bach e Mozart e incluem um CD com as composições mais emblemáticas.

— Os livros serão doados, ainda este ano, a escolas públicas do Rio. A próxima meta é fazer esse trabalho com os grandes da MPB. O primeiro homenageado será Nelson Sargento — afirma Serpa, de 75 anos.

Vontade de transformar o bairro

Quando a Fundação Cesgranrio saiu do Cosme Velho, chegou ao Rio Comprido e se instalou uma antiga chácara na Rua Santa Alexandrina, no ano de 2003, uma das primeiras coisas pensadas por Serpa foi se aproximar das comunidades do entorno. Foi criado, ainda aquele ano, o “Apostando no futuro”, projeto que leva educação, saúde e atividades culturais às comunidades de Paula Ramos, Escadaria, Vila Santa Alexandrina, e Parque André Rebouças.

Desde 2000, a Fundação Cesgranrio investia em projetos nas áreas de cultura e arte desenvovidos por ONGs. Mas somente a partir de 2003 passou a promover as suas próprias ações nessas áreas. A instituição contratou três ONGs (Organização Mundial Para Educação Pré-Escolar, Só Lazer e São Domingos Sávio) que realizam trabalhos e atividades diversas.

— Esse projeto tem um diferencial: antes de implementar, ouvimos os moradores para descobrir o que era prioridade para eles — explica a professora Teresinha Saraiva, diretora do “Apostando no futuro”, que, aos 91 anos, esbanja lucidez.

O “Apostando no futuro” atende a cerca de 500 pessoas, dos 2 anos à terceira idade. Entre as atividades, futebol, natação, tênis, judô, dança, reforço escolar e capacitação em artesanato para grupos de mães são realizados no Clube Ginástico Desportivo, onde também há uma bibiblioteca e uma brinquedoteca. No local há complementação alimentar.

— Realizamos passeios recreativos e culturais pelo menos uma vez por mês. Além disso, levamos regularmente as crianças para uma sessão de cinema no CAP Uerj, que fica próximo — diz Teresinha.

Um dos projetos mais ousados da fundação é o “Rio Comprido: SoHo carioca”. A inspiração surgiu nas mudanças urbanísticas do bairro nova-iorquino, que durante muito tempo esteve abandonado e hoje é um ponto turístico e referência artística e gastronômica da cidade americana.

— O Rio Comprido é um bairro histórico. O viaduto foi criado e o arruinou completamente. Estamos conversando com a prefeitura e com empresas do bairro, que toparam inicialmente, para ver a possibilidade de desenvolver o projeto. Estou confiante. Mas ainda é cedo para adiantar qualquer coisa — afirma Serpa, dando detalhes do projeto. — Fizemos até uma maquete. Vamos cobrir o rio, deixando uma grade nas bordas para um eventual transbordamento da água. No espaço entre os pilares, que pretendemos arborizar, haverá sempre uma intervenção artística, musical ou gastronômica — finaliza.